quarta-feira, 23 de abril de 2014

A FAZENDA DA RESERVA E A CASA ONDE NASCEU CASTILHOS


A Fazenda da Reserva está localizada nas proximidades de onde existiu a Redução (jesuítica) de Natividade, fundada em 1633. Ela ficaria, provavelmente, em terras do atual Município de Pinhal Grande. Em 1626, chegou ao território rio-grandense o bandeirante Raposo Tavares que, numa ação fulminante, veio caçar e escravisar índios que seriam vendidos no norte. Uma das primeiras reduções a ser atacada seria Jesus Maria, nas proximidades de Rio Pardo atual. Enquanto era preparada uma resistência ao invasor, o Provincial dos jesuítas, Diego de Alfaro, preocupado, resolveu que se reservasse em Natividade, uma das reduções menos acessíveis ao inimigo, “um corte de gado” para as necessidades eventuais. Essa “reserva”, que seria de 300 reses, estaria bem protegida em um rincão  de campo onde, em 1960, nasceria Júlio Prates de Castilhos. Daí o nome: Fazenda da Reserva.
            Em 1823, duzentos anos depois, o Cap. Carlos dos Santos Barreto recebeu carta de sesmaria sobre “os campos de criação e terras de mato” no lugar “denominado Reserva”. Este seria o primeiro dono dessa região.
            Em 1826, essa área, já denominada “Fazenda da Reserva”, foi vendida Salvador Martins França e a Antônio de Souza Fagundes. A metade dela Fagundes vendeu, em 1837, ao Pe. João Vaz de Almeida e Manuel Joaquim de Macedo. Essa sociedade foi dissolvida em 1846 e todo o acervo passou a Manuel Joaquim de Macedo.
            Em 12 de janeiro de 1848, este campo, que constituía a “Estância da Reserva”, foi vendido a “Francisco Ferreira de Castilhos e sua mulher, Dona Carolina de Carvalho Prates”, os pais de Júlio Prates de Castilhos. Diz a escritura, que incluía “casas, mangueiras e arvoredo”, além de 12 escravos. Obrigatoriamente, portanto, em uma dessas “casas” teria nascido Júlio de Castilhos


Na fotografia acima, de 1924, aparecem três casas, pois “C” seria a capela ou o “oratório da Reserva”. Em uma pesquisa no Arquivo Histórico de Porto Alegre descobrimos uma foto da casa A que tem, entre as janelas,  uma coroa de louro com o ano de 1873, que seria o ano do término de sua construção. Portanto,  quando Júlio de Castilhos tinha 13 anos. Soubemos, então, que Júlio não nascera ali.
Sobravam duas casas antigas, a B e a D, provavelmente da época da compra da Fazenda. Em qual delas teria nascido o patriarca?

Muitas pessoas tinham como certa a casa B, apontada até em jornais e pela filha de Quincas Paraguaio, um capataz da Fazenda, pois a casa D, depois da demolição da casa A, era apenas um galpão  e ninguém poderia imaginar que Júlio de Castilhos tivesse nascido em um galpão.
                Duas observações, no entanto, nos intrigavam: A semelhança da casa B com o prédio ainda remanescente (localizado nos fundos da casa A) onde Dr. Ibis afirmava que seria a senzala e o número de janelas do galpão D.

        
                Durante três anos estudamos os documentos e fotografias antigos (escrituras de vendas) e buscamos maiores esclarecimentos na tradição oral: fomos entrevistar a filha do antigo capataz que nasceu na casa B e seu pai dizia ter sido no mesmo quarto onde Júlio de Castilhos teria nascido.
                Ela tem uma memória fotográfica, morou na Reserva até seus 25 anos e assim descreveu a casa B:
                “A casa tinha uma área na frente, com esteios de madeira. Era coberta com telhas-canoa e o forro de madeira larga e o chão era de terra, chão batido, só uma pecinha onde eu nasci tinha assoalho.
Ela tinha seis peças, uma ao lado da outra. Na quarta foi onde eu nasci, em 9 de novembro de 1934. Tinha três pecinhas e um corredor. Na primeira peça, à esquerda, era o quarto de meus pais, onde nasci, e era a única peça de toda a casa que tinha assoalho de largas madeiras. Atrás dela era meu quarto de solteira. Todas as peças da casa tinham, na frente, uma porta e uma janela e não tinham porta nos fundos, com exceção da nossa casa e da “capela” (que seria a 6ª peça onde guardavam o que sobrou do oratório).
Eu estava de férias do colégio, teria uns 8 anos (1942/3) e assisti à demolição desta casa: As paredes eram de barro de uns 50 centímetros de largura. Um barro duro. A terra era tão dura que levaram dias para desmanchar com picaretas. Ficava a marca lisa e brilhante do ferro. Foi demolida porque chovia muito, estava apodrecendo a madeira, as paredes estavam “descascando”, mas não estavam rachadas. Eram pintadas com cal branco e as paredes divisórias eram de madeira”.
Pode-se afirmar que todos os 11 filhos de Francisco e Carolina teriam que passar  sua infância numa casa da Fazenda.                                                  
O que não se pode compreender, de maneira alguma, é que Francisco Ferreira Castilhos e Carolina Prates de Castilhos fossem morar numa casa feita de barro, de chão batido, com seis peças sem interligação, ali nascessem a maioria de seus 11 filhos e onde todos eles fossem criados e educados. Pois, Francisco, era um homem de “bastante fortuna”, filho de um escrivão de tradicional família de Santo Antônio da Patrulha e Carolina era descendente de “aristocrática família, filha de um próspero fazendeiro de São Gabriel que foi Deputado da República Rio-Grandense e ajudou financeiramente a Revolução Farroupilha”. Além disso, eram suficientemente ricos, pois compraram essa fazenda e doze escravos por doze contos de réis. Uma alta importância para a época quando o campo pouco valia.
Quando Júlio de Castilhos tinha 6 anos, essa casa B teria que hospedar, também,  Francisca Wellington, uma professora particular contratada por seu pai para ensinar Júlio e mais cinco irmãos. Essa professora era casada com um professor inglês ou americano, e tinham dois filhos, de 5 e 6 anos. “Dona Chiquinha, esposa do professor Guilherme era uma grande dama, cujas maneiras distintas revelavam educação aprimorada”. Certamente, esta família também residiria junto, por alguns anos, na Reserva.
Não haveria necessidade — nos perguntamos — de ser numa casa maior e mais adequada para a posição social dessas famílias?

Parece evidente, portanto, que Júlio de Castilhos não nasceu nesta casa de barro e chão batido.
Em que casa da Fazenda, então, teria nascido o Dr. Júlio Prates de Castilhos?
Como faz mais de 150 anos, a gente não pode afirmar com absolutíssima certeza que Júlio de Castilhos tenha nascido nessa casa atual das fotos acima. Mas são tantos os indícios que mostram que esse galpão atual tem inúmeras características de sede de fazenda  que estamos absolutamente convictos e podemos afirmar tranquilamente que Júlio Prates de Castilhos só poderia ter nascido nessa casa quando ela teria a aparência igual a imagem abaixo, projeção digital, e que a casa B, a nosso ver, seria  apenas a sua primitiva senzala.



Vejamos então alguns desses indícios:

              1 - A casa D que, felizmente, está bem conservada e, apesar de sua utilização contínua, conserva as características morfológicas de construção doméstica das casas-sedes oitocentistas: Tem telhado original, fachada simples, reta, limpa e pouca modificação em sua estrutura desde a época em que foi construída no topo da coxilha.
2 — Ela possui largas paredes com cerca de 50 centímetros de largura. Foi construída com tijolos e coberta com telhas portuguesas (capa e canal).
               3 — Possui muitas aberturas externas, tanto na parte usada pelo Capataz (cujas peças tem forro de madeira), bem como, ao fundo, na parte do dormitório dos peões.
 
                Os galpões de estâncias têm sempre uma construção mais simples com poucas aberturas. Para quê tantas aberturas, se fosse apenas um galpão?
                Tudo leva a crer que toda essa edificação, com alto pé-direito de 3,5m, teria sido a primitiva moradia dos pais de Júlio de Castilhos. Embora, usada, atualmente, com outra finalidade, repetimos, ela mais possui características de casa-sede.
                4 — Na parte interna da casa, (hoje usada como galpão), existem duas altas portas almofadadas, com bandeirolas de vidro.



Qual a razão lógica para tão ricas portas em um simples galpão? Para quê colocar portas altas, finamente trabalhadas com vistosas almofadas e com bandeirolas de vidro em um galpão onde entra tanta luz?
Parece evidente que seriam portas internas de peças independentes de uma grande casa-sede.
5 — Entre essas duas altas portas (foto acima) existe uma espécie de coluna, sem função aparente, que deve ser resto de uma parede divisória removida ao ser adaptada para galpão.
6 - Dentro do atual galpão existem várias portas antigas com almofadas empilhadas numa bancada ou console. Não seriam elas retiradas das paredes que dali teriam sido removidas?
 Além disso, são encontrados pelos arredores dessa casa, peças de madeira de lei, ainda com os antigos cravos, servindo de moirões e compondo porteiras da Fazenda.  Não seriam aproveitados marcos antigos retirados na adaptação para galpão?
7 — Em um buraco que existiu e fotografamos, no piso de lajes do atual galpão podiam ser vistos tijolos, abaixo de lajes. Não seriam resto do piso da casa-sede?
8 — O Capataz atual mora nas primeiras peças dessa casa. No quarto desse casal, aparecem os vestígios de uma porta que dá para o atual galpão e de outra (à esquerda da porta atual) que seria uma janela ou porta que foi fechada. [?]
9 — Havia, junto a esta casa, um Oratório ou capela que teria sido construído, entre 1837 a 1846, pelo padre João Vaz de Almeida, ou por um dos donos anteriores. Também é provável que o próprio Francisco Ferreira de Castilhos a tenha construído, já antes do nascimento de Júlio, a pedido de Dona Carolina, que era sobrinha de Dom Feliciano José Rodrigues Prates, o primeiro Bispo do Rio Grande. Por que uma capela ao lado de um galpão?
Nesse “Oratório de Francisco Ferreira Castilhos” foi, comprovadamente, batizada, Carolina Prates de Castilhos, a sexta filha do casal e, possivelmente, também Júlio de Castilhos (quatro anos depois) e outros irmãos mais. Ali foi, comprovadamente, onde casaram Assis Brasil e Maria Cecília, irmã de Júlio. Não se construiria uma capela à direita de um galpão, mas à direita da casa-sede.
10 — O madeiramento que sustenta o telhado (tesouras, esteios e vigas) é feito de grossos barrotes, de madeira-de-lei, falquejados e pregados com cravos e não com pregos. Não resta a menor dúvida, portanto, que este prédio é muito antigo, pois, recentemente, ao serem reconstituídas partes desse madeiramento, de lá foram retirados cravos de ferro de perfil quadrado. “Pregos” que foram feitos por ferreiros (com ferro aquecido e batido), próprios do Séc. XIX. Sabe-se que os pregos de perfil redondo só apareceram em 1875. Esta casa, portanto, seria bem anterior a 1875.               
A imponente casa D, com a capela do lado, teria sido, a nosso ver, o lar de Francisco Ferreira Castilhos e nunca um galpão da acanhada casa baixa B.
                11 — A casa D, tem cerca de 23m por 17. Uma área de cerca de 393 metros quadrados!  Por que um “galpão” tão grande? Não é uma proporção mais própria para casa-sede?


                CONCLUSÃO:

Temos consciência de nossa limitação como leigo em história. Mas temos, mesmo como simples pesquisador, a responsabilidade de uma afirmação categórica ao propor o tombamento dessa casa como a casa onde nasceu Júlio de Castilhos. Assim, para suporte científico de nossa tese, pedimos o parecer de um emérito historiador, Licenciado em História e Geografia pela UFSM, onde lecionou, especialista em Antropologia Cultural pela Universidade de Santa Catarina.  Ele escreveu:
 “Li atentamente a exposição da tese sobre o lugar onde Júlio Prates de Castilhos nasceu, na Fazenda da Reserva. Fiquei impressionado com as evidências da cultura material apresentadas no texto. Enumerei-as e anailsei-as uma a uma e não encontrei nenhuma contradição. O prédio antigo e a Capela compuseram o cenário onde Júlio de Castilhos nasceu. Não me sobra nenhuma dúvida disto.
                Deixo registrado que procurei em bibliografia competente outros dados e pouco existe. Sua tese é inovadora e esclarecedora sobre o importante fato histórico. Tenho certeza de que a comunidade científica acolherá sua tese.
                Espero que consigas o tombamento da Fazenda da Reserva. Todo o Rio Grande ganhará com isto”.           
                Foi assim que esta casa ficou protegida por lei, com Tombamento Municipal, como “casa onde nasceu Júlio Prates de Castilhos”. Escrevo, e publico através deste blog, a razão pela qual pedi esse tombamento, pois não são poucas as pessoas que me fazem esta pergunta.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

ARTEFOTO UM

Aquarela 

CD6

Estudo a Dali  (Medalha de Ouro no Salão Internacional de Jaú, SP)


Entardecer em Ingleses

Seu Osório -- um gaúcho no paraíso

Una bela fiorentina
Marion no tordilho
Quarteto em Sol


sábado, 12 de abril de 2014

APRESENTAÇÃO E CONVERSA SOBRE FOTOGRAFIA

            MINHA VIDA NA FOTOGRAFIA
  
Comecei a interessar-me pela arte fotográfica em Santa Maria, em 1947. Um irmão marista, meu professor, elogiou uma foto minha, incentivando-me a continuar ao dizer que era uma “foto artística”. Mudamos para Porto Alegre. Em 1953, um colega de trabalho convidou-me para uma reunião no recém-fundado Foto Cine Clube Gaúcho, onde me associei e aprendi as primeiras lições convivendo com ótimos fotógrafos.  
            Usando câmeras emprestadas, participei do primeiro concurso interno como PRINCIPIANTE. Foi meu debute em Arte Fotográfica. Meu amigo Leo Guerreiro ampliou duas fotos no laboratório do Clube, em sua primeira sede na Rua Mal. Floriano, em frente à Praça Quinze. Obtive o 2° e o 5° lugar.
            No ano de 1954, ainda na classe principiante, no fim do ano, ganhei duas “Taça de Melhor Fotografia” e a “Copa de Melhor Conjunto” e passei para a classe “médios”. Com o primeiro ganho na profissão comprei um ampliador que hoje está no Museu Vila Rica e um colega comprou para mim, na Alemanha, uma máquina barata, mas muito boa: uma Flexora.          
Em 1955 tive minha primeira foto aceita no Salão Internacional de Avellaneda, na Argentina.
            Mudei para Júlio de Castilhos e fiquei como Sócio Correspondente do FCCG por mais alguns anos.
            Não parei mais de mandar fotos para Salões Nacionais e Internacionais. Quase sempre tinha fotografias aceitas, mas nunca premiadas e minha satisfação era ver meu nome nos catálogos e receber os selos de aceite.
            Aí eu já tinha passado da Flexora, já tinha ido à Alemanha e comprado a minha Rolleiflex T, quando um amigo de Santa Cruz disse que um colega dele tinha achado na rua uma máquina pesada que não tirava boas fotografia e queria vender porque não prestava. Mandei o dobro do dinheiro que me pedia e comprei a minha Leica M3 (a mesma que Cartier Bresson usava sempre). Foi com ela que veio o meu primeiro prêmio, que eu chamo de “tiro na lua”: ganhei com um eslaide, um 2º lugar no 9º Concurso Internacional de Fotografia “Nikon”, 1977/78. Com ele, uma Nikon El2 e passei, então, a atirar com chumbo grosso em tudo que era salão e concursos, sempre levando a arte/hobby com muita seriedade.
            Conquistei até hoje 70 prêmios. Não significa muito para os 60 anos de arte fotográfica. Levei muita gente a desfrutar desse apaixonante passatempo e quero levar você também:           

CONVERSA SOBRE FOTOGRAFIA: Aos Principiantes na Arte

            A fotografia é uma arte? Sem dúvida. É uma arte visual.
            Toda a fotografia é uma obra de arte? Aí não. “Obra de arte é um artefato primoroso, artístico, bem delineado, bem executado”, segundo o Caldas Aulette.
            O que faz uma fotografia ser boa ou má, agradável ou medíocre, ótima ou fraca, atrativa ou não?
            É difícil dizer em poucas palavras. Difícil explicar o que desperta na alma o sentimento de prazer e admiração. Tudo é tão subjetivo.
            “A arte é a expressão do belo” — disse alguém. Mas, o que é o belo?
            O belo para o sapo deve ser a “sapa”, certamente!
           
            O Julgamento de uma obra fotográfica sempre vai causar polêmica. Os concorrentes sempre terão dúvidas se suas fotos são boas ou más.
            A arte nunca poderá ser avaliada por padrões exatos, matemáticos. Dois julgadores, duas opiniões. O valor da obra vai ficar ao arbítrio de cada um. Por isso é necessário que haja pelo menos três jurados nos concursos para dar uma média de opinião.      
O fotografo serve-se de uma imagem para transmitir suas ideias, sua emoção, seus pensamentos, seu estado de ânimo, seu gosto pessoal — a outros observadores.
           A imagem é a materialização do meio que um fotógrafo usa para comunicar-se com as pessoas. Há sempre o trinômio: criação – transporte – recepção.
          O autor não precisa explicara sua obra, ela se basta por si só. Se isso não acontecer houve alguma falha na criação da obra.

Sem arguir para nossa pessoa nenhuma pretensão ou sabedoria, esta simples e sucinta conversa vai tocar em alguns pontos. Oferecendo algumas ideias ou normas que regem a maioria dos Salões de Arte Fotográfica e que orientarão aqueles que querem se iniciar nesse agradável “hobby”. Não é nada nosso. Tudo compilações daqui e dali. Ou experiências que nós, eternos amadores, fotógrafos amadores em formação, fomos aprendemos com o passar do tempo: vendo, ouvindo, perguntando...
Esses itens de análise vão nos dar uma pequena ideia da foto ideal, da melhor foto.

ANÁLISE DE ARTE FOTOGRÁFICA 

                De uma maneira geral, na análise de uma foto os Jurados vão se ater a quatro qualidades principais: Visão ou concepção, Interpretação e tratamento, composição e técnica de tomada.

1 Visão ou concepção
            Uma boa fotografia deve mostrar criatividade (visão pessoal do autor), originalidade do tema apresentado por ele. Não deve ser um assunto banal, comum, confuso, imitação de outras fotos, reprodução de temas vulgares. Nem todo o por-do-sol é uma ótima obra. Precisa ter “algo mais”. Ser “fora de série”. Ter o impacto: O que faz que a gente se detenha olhando uma foto. O que desperte a atenção.

            2Interpretação e tratamento
            Uma boa foto deve ser adequada ao tema que desejamos expressar: Como o autor interpretou o tema. Qual foi o objetivo da foto.
            É importante que a foto tenha um interesse amplo, geral, de modo a sensibilizar o maior número de possíveis observadores. O ideal seria elevá-la ao nível universal.
            O julgamento de uma foto vai depender da sensibilidade dos jurados. Uns terão mais sensibilidade que outros. (Por isso vale mandar a mesma foto de novo!!!)
 A boa foto deve ter naturalidade. Ou melhor, não deve ser artificial. Nem ter um interesse restrito. Um interesse que seja limitado ou de caráter pessoal. A beleza, indiscutível, do nosso filhinho, do netinho, do gatinho, nem sempre vão tocar a sensibilidade dos outros. Volto a dizer que tem que ter o “algo mais”, que difere para cada jurado. Fora disso, será apenas e simplesmente, um documentário (até bem feito) sem valor artístico.

3Composição
            Um fator importantíssimo num trabalho de Arte Fotográfica é a Composição Artística.
Mas, o que é composição?
É o arranjo harmônico dos elementos distribuídos no quadro da obra: formas, linhas, massas, tons, luzes, sombras, etc. É o que dá o equilíbrio numa foto. Equilíbrio tonal e cromático. A harmonia das cores, nas fotos coloridas.
Composição é a disposição que o artista faz dos elementos que integram a foto para conseguir causar impacto.
 Equilíbrio: Os elementos da composição artística devem ser colocados no quadro de tal modo que não fique mais pesado para um lado da foto.
Linhas: Linhas retas — fotos pesadas. Linhas curvas — fotos leves, graciosas, suaves.
Tons: Tons claros — fotos ternas, leves, elegantes.
          Tons escuros — fotos austeras, pesadas.    
 Podemos aprender composição com os artistas plásticos. Principalmente, com aqueles que não discriminam a fotografia. Que acham que fotografia não é arte. Que é só apertar o dedinho e que a câmera faz o resto. Estes, não terão um dedinho de bom senso e aquela boa vontade que caracteriza a alma simples dos grandes artistas.
            Um artista plástico mandou que eu quase fechasse os olhos e procurasse olhar o trabalho, assim desfocado, através dos cílios. Ver se não há um peso de tons e massas para um ou outro lado, que desequilibre o todo. Ajuda mesmo, tentem!
            Um ótimo livro de pintura serve também para fotografia: “Assim se compõe um quadro” – Parramón. Se acharem, comprem.       
4 — Técnica de tomada (e outras regras fundamentais)
  Focalização: Foco no assunto principal, o resto desfocado (focalização seletiva). Evitar o mesmo valor de nitidez, tipo cartão postal.
Cuidar os elementos de profundidade (uso do campo focal). Saber onde deixar o foco (ou o desfocado).
A originalidade do ângulo de tomada. Relação espacial entre o primeiro e outro plano, que realça e dá força expressiva a imagem.
Pontos de fuga: (Elementos de perspectiva) Indica a direção do movimento. Deve se encontrar dentro da foto e não fora. (Ex.: Evitar que o cachorro ou a pessoa olhe pra fora da foto). A direção do olhar de uma foto se faz da esquerda para a direita.
Clareza: Ter o cuidado de não encher o quadro com elementos alheios ao assunto. (A poluição na fotografia!). Dar um centro principal de interesse. Muitos elementos de interesse geram confusão. O tema essencial deve ser valorizado pelos motivos complementares.
A imagem bem composta leva o olhar do observador. Muitos sujeitos, o olhar pula de um para outro. 
Unidade: Transmitir uma única mensagem.
Ênfase: Aproximar-se do assunto. Dar destaque ao assunto. Se houver, usar o zoom.
Simplicidade: “Toujour la simplicité” – Mme. Schiaparellli dizia da moda. Requisito essencial. Sempre agrada mais que a complexidade.
Ritmo: Unidade dentro da diversidade. Repetição de elementos de dimensões, ou tonalidades ou cores diferentes.  
             Regras básicas da fotografia:

              Existem duas regras básicas:
       Uma, chamada a Regra dos Terços ou Teoria dos Terços. Muito simples nas paisagens: a linha do horizonte deve ficar no terço superior ou no inferior da foto. Deve-se evitar a linha no meio, dividindo a foto em duas. Optar pela terra ou pelo céu.
O horizonte deve ficar paralelo à moldura. Nunca inclinado. Aí tem o Picasa.
A outra regra é a do Ponto Ouro. Divide-se a foto em três linhas horizontal e verticalmente. A intersecção delas é o ponto de interesse da foto. O assunto principal (uma pessoa, um animal, uma casinha, uma árvore, etc.) deve ficar próximo a um destes quatro “pontos fortes” ou “pontos de ouro” da fotografia.

A fala dos mestres:

Mortensen: “Fotografia artística é aquela que:
                       Pelo simples arranjo nos obriga a vê-la.
                       Pelo visto, olhá-la.
                       Tendo olhado, gostar!”
Cartier-Bresson: Dizem que o falecido gênio francês da arte fotográfica, dizia que devemos conhecer as regras da fotografia, para poder desobedecê-las!
Ele dizia mais:
 “É o olhar, o único meio de expressão que capta o momento. O instante, que nota a sensação de estar lá, vivendo intensamente”.
Temos que “esperar pela fotografia”.
“A grande fotografia é um presente. Um presente que lhe é oferecido, mas há o acaso. É preciso aproveitar-se dele. É o único meio de expressão em que há uma luta contra o tempo. O fotógrafo cria. Deus sabe o quê, mas, de repente. E corre o risco de deixar passar o momento...”.
“Você vê alguma coisa e pensa: devo tirar esta fotografia agora? Neste momento? Agora? A emoção aumenta... É como um orgasmo! Em um momento determinado explode. Ou pegou este momento ou falhou. É só um momento.
A fotografia é uma ansiedade contínua... Uma ansiedade silenciosa. Uma angústia muito calma”.
Retrato. O fotógrafo espera um momento interior que ele possa captar. Procura o silêncio dentro da pessoa. O silêncio das pessoas para com elas mesmas”.

A fala de um firmino qualquer:

  Se você gosta de fotografia, não ligue para nada do que eu acima apresentei nessa conversa sobre fotografia. Se tiver talento, então!...
Satisfaça, apenas, o “seu gosto”. O aprimoramento virá com o tempo e a gratificação virá para todos, com certeza.
Um conselho pessoal: Olhou, gostou, bata! Bata de novo. Outra vez, de jeito diferente, e deixe pra olhar em casa para ver se dá para aproveitar alguma coisa!

sexta-feira, 11 de abril de 2014

SERAFIM BRAVO

SERAFIM CORREA DE BARROS — O HERÓI DE TRÊS GUERRAS     
        
                                                                                                                       (Firmino Costa)

            Serafim nasceu em 2 de agosto de 1817 e foi batizado com mais de quatro meses, em 9 de dezembro, em Santa Maria. Não se pode afirmar, mas é quase fora de dúvidas que Serafim teria nascido em território atual de Júlio de Castilhos, nas proximidades de São Pedro Tujá (Abacatu). O certo é que passou toda a sua existência na Fazenda Vista Alegre. Foi sepultado no antigo Cemitério dos Azevedos, em Tupanciretã, junto com sua esposa Carolina e mais tarde transladado para o cemitério da cidade.
            Pouco se sabe do menino. Apenas que sua mãe, Ana Maria de Jesus, com 22 anos, o levou a Santa Maria onde ele foi batizado. Foram padrinhos o próprio vigário, Pe. Antônio José Lopes e sua avó materna, Vicência Maria de São Joaquim. (Não existia ainda a Capela de São Martinho, que ficaria mais perto).
            Um fato talvez explique a presença de sua mãe em nossa região:
            Agostinho Soares da Silva, morador de Santa Maria, tinha uma sesmaria em São Pedro Tujá. Sua mulher era tia da mãe de Albino Silveira, com quem, a partir de 1822, ela se uniu e teve mais seis filhos, entre eles o Fundador de Tupanciretã.
           
            Por volta de 1835 ou 36, Serafim teria sido levado para os campos da futura Vista Alegre. Tinha 19 anos e era chamado de Serafim José Jacinto. Usando como sobrenome o nome do avô materno, um dos primeiro povoadores de Santa Maria.
            Só depois da Revolução Farroupilha, em 1845, ele soube que seu pai havia falecido, em 28 de agosto de 1836, em Bagé, e que tinha mais cinco meio-irmãos. Contam que era muito parecido com o pai, físicamente e pela maneira de falar, e foi muito bem recebido por eles.
            Além de bens em território brasileiro, foram partilhados no Uruguai as fazendas de Caraguatá e outra às margens do Jaguari. Embora dilapidadas por 9 anos, no inventário, ainda foram encontrados 8.000 bovinos, eqüinos, muares e ovinos.

SERAFIM E A REVOLUÇÃO FARROUPILHA — 1835 – 1945

            Por volta de 1840, a tropa republicana, sob o comando de José Gomes Portinho, com 26 anos, operava em nossa região (São Bernardo-Tupanciretã). Serafim, com 23 anos, já entusiasmado em combater o Governo Imperial e sentindo no peito o despontar da energia, a audácia, o valor e a têmpera que ele trazia no sangue, resolveu acompanhá-lo.
            Seu gênio militar encontra raízes no tio-avô materno, Ten. Cel. Zeferino José Jacinto, que foi inexcedível na luta, morrendo gloriosamente em 1839, nas proximidades de Cruz Alta e sento enterrado, como homenagem do Presidente da República Rio-Grandense, na então capital, Caçapava.
             
            Hábil no manejo da lança e da espada e absoluto no domínio de seu cavalo conquistou em seguida o posto de alferes.
            A primeira noticia que se tem, em outubro de 1841, como tenente Serafim José Jacinto, foi ao encontro com um piquete do Loureiro, um comandante missioneiro onde, apesar de contar com um número inferior de cavaleiros, leva a guarda avançada de vencida em bela escaramuça.

            Em 22 de abril de 1842, ainda como tenente, comandando 36 praças entrou nos campos do imperialista João Gonçalves Padilha, o Padilha Rico, para uma diligência. Cai, no entanto, em uma emboscada de uma força de mais de 60 homens de Melo Bravo.
            O “valoroso e benemérito oficial”, na linguagem de Portinho, reconhecendo a superioridade do inimigo, projetou uma retirada. A manobra é percebida e Serafim foi perseguido. Pressentindo que seria alcançado por cavalariano bem montados e que estava com sua cavalaria cansada pela grande marcha da noite anterior, andou mais uma meia légua e viu-se forçado a tomar posição e carregar sobre o inimigo que vinha a meia-rédea.
            Depois de um renhido combate, com heróica bravura, derrotou-os completamente, obrigando-os a uma desesperada fuga, deixando no campo da batalha doze praças e dois sargentos mortos. Além de vinte cavalos encilhados, entre os quais o do próprio Padilha que, ferido, fugiu a pé.  Entre suas baixas, Serafim lamentou a morte de apenas dois homens, um deles, seu irmão, o Alferes José Jacinto. E, entre os feridos, oito homens e dois extraviados.

            Nessa época, Serafim já havia conhecido Carolina Josefa Leopoldina, uma moça de rara beleza, filha de um fazendeiro de uma sesmaria nas proximidades da atual Fazenda de São Pedro do Tarumã. Num intervalo de lutas, antes do fim da Revolução, volta à querência e casa com ela entre 1843 e 44, indo arranchar com sua mãe numa coxilha que deu o nome de Fazenda da Vista Alegre.

SERAFIM E A CAMPANHA DO URUGUAI — 1851-1852

            Cumprindo um Tratado de Aliança, com o Uruguai e os governos de Entre Rios e Corrientes, representado pelo Gen. Urquiza, o Brasil é solicitado a auxiliar no combate ao ditador Gen. Juan Manuel de Rosas.
            Em junho de 1951, o Conde de Caxias, é nomeado o comandante em chefe do Exército Nacional e reúne, em Livramento, as forças que para ali mandara convergir e as organiza, criando o 1° Regimento de Cavalaria da Guarda Nacional. Deu-lhe o comando do Cel. José Alves Valença (pai do nosso Dr. Valença) e Serafim foi confirmado no posto de Capitão em 30 de agosto de 1851, com 31 anos, no comando de uma de suas Companhias. O 1° e 2° Regimento formavam a Brigada comandada por Portinho, então com 37 anos.
            O Exército Brasileiro compunha-se de 18.000 homens, 11 navios e 6 vapores ancorados na foz do Rio da Prata. Com uma única batalha, a de Monte Caseros, em 3 de fevereiro de 1852, Rosas é derrotado e asila-se num navio de bandeira inglesa.
            Em 3 de agosto de 1852, o 1° Regimento é dissolvido no Arenal, em Santa Maria.da Boca do Monte e, pela valentia e arrojo nas pelejas, Serafim ganha então a “Medalha de Prata do Campanha do Uruguai” e a “Ordem Imperial da Rosa” que lhe deu o título de Comendador e o livre acesso a palanques oficiais e atos públicos.

SERAFIM E A GUERRA DO PARAGUAI. — 1865 - 1870

            Em fevereiro de 1865, a Câmara de Cruz Alta denuncia a presença de tropas paraguaias a 37 léguas da Vila. A presença de um paraguaio em Campo Novo, a título de explorar minas, preocupa as autoridades com o perigo de “tornar-se de uma hora para outra, teatro de mortandade e, sobretudo, saques” e o Presidente da Província manda o Brigadeiro José Gomes Portinho a Cruz Alta para organizar a 4ª Divisão de Cavalaria da Guarda Nacional para guardar as fronteiras do município.
            Portinho reúne, com dificuldade, 3.400 homens e ruma para as margens do Paraná onde acampa.
            A “Divisão Portinho” fazia parte da 5ª Brigada do Cel. Antônio Mascarenhas de Camelo Júnior e dela fazia parte o 1° Corpo Provisório comandado por Serafim.

            A coluna de Portinho leva 25 para cruzar o Rio Paraná, devido às fortes chuvas e falta de meios de transporte e animais. De Encarnación, em 26 de junho de 1869, começa a triunfal incursão no território paraguaio em direção a Yjuty, percorrendo dezesseis léguas “por caminhos quase intransponíveis, cortados de inúmeros arroios, extensos banhados e atoleiros”.
            Dia 28, o Ten. Cel. Serafim e o Mj. João da Gama Bentes Juvenis, com 250 praças a cavalo, duas bocas de fogo e 50 infantes, entram em Duarte-Cuê e prosseguem na vanguarda até São Miguel. O inimigo, 10 ou 12 homens, foge para os matos deixando sete cavalos encilhados.
            A vanguarda brasileira, que sempre foi comandada por Serafim, chega ao Passo de Tuty e desbarata todas as pequenas guardas encontradas. Leva três dias para cruzar o rio que estava a campo fora, com nado de setenta braças. Serafim passa pelo povo de Yjuty, que estava abandonado e vai encontrar uma força inimiga de duzentos homens defendendo a boca de uma picada. Guerrilha fortemente com ela, fazendo dois prisioneiros, três mortos e deixando escapar alguns feridos.
            A 13 de agosto, a coluna já havia transposto o rio e a vanguarda, graças à atividade valor e intrepidez de Serafim, e chega a cinco léguas do inimigo. No dia seguinte à distância chega a duas léguas onde estava Vernal com 1.300 homens e três canhões, além de receber de Ascurra mais dois canhões, um Batalhão de Infantaria e um Regimento de Cavalaria a Pé. Apesar de tão poderoso, o inimigo depois de manter vivo fogo de fuzilaria e metralha não resistiu à investida corajosa de Serafim flanqueando sua tropa e o inquietando constantemente e acabou batendo em retirada.
            Esta notável ação do Exército Brasileiro é descrita no jornal “A Reforma” de 17.6.1870:
            “Dia 21 de julho de 1869, o Cel. Portinho bate-se com uma coluna paraguaia de mais ou menos dois mil homens, comandadas pelo Cel. Vernal usando a artilharia e infantaria depois de duas horas de vivo fogo. Desbaratado o inimigo, caiu-lhe a cavalaria em cima com todo o denodo, cabendo o mais importante lugar entre ela ao 1° Corpo de Cavalaria do intrépido Ten. Cel. Serafim Correa de Barros”.
            Da Ordem n° 30, de Portinho ao Marechal de Exército, Conde d´Eu, Comandante em Chefe das Forças Brasileiras em Operação no Paraguai, transcreve-se:
            “O Ten. Cel. Serafim Correa de Barros, a frente do 1° Corpo ao seu comando, com intrepidez e galhardia, carregou por vezes sobre o inimigo, rompendo sempre as massas e desmantelando os quadrados que procuravam formar”.
            Assim, depois de sucessivos triunfos, avançando à medida que enfraquecia a resistência, a coluna chegou, a 5 de agosto, a Peribebui e, pouco depois, desmorona definitivamente a força paraguaia.
           
            Pelos serviços prestados na Campanha do Paraguai, por Decreto de 22 de junho de 1870 da pasta da Guerra, Serafim foi promovido ao posto de Coronel Honorário do Exército Nacional, título, aliás, que ele nunca usou.

            Pelas narrativas históricas de tradicional bravura, os brilhantes episódios das três guerras onde participou, dos notáveis feitos e das manobras criadas por seu gênio militar, seus camaradas lhe deram o cognome de Serafim Bravo. E, se mais instrução tivesse teria tido o título de Barão.

            Serafim viveu, ainda, dezesseis anos de paz na sua Fazenda da Vista Alegre, no Distrito de Vila Rica, sempre admirado por seus chefes militares e gozando de justo prestígio no do Município de São Martinho. Ali, encontrou o merecido repouso na glória eterna daqueles que ajudaram a escrever a história da luta pela defesa e liberdade da Pátria Brasileira.
            Que sejam tempos de paz os tempos que hão de vir. De compreensão e amizade, não apenas entre todos os rio-grandenses com ideologias diferentes. Nem somente entre nós e a nobre nação paraguaia. Mas com todas as outras nações que envolvem o Brasil com o significativo abraço de suas posições geográficas.  Mas tempos em que, pela intensa participação na história de nossa terra, pela valentia e arrojo, pela virilidade de seu braço, pela energia de seus sentimentos cívicos, Serafim Bravo viva para sempre como motivo de orgulho e admiração, na memória de seus descendentes e da gente de nossa terra.

           

           

           



                       
                       


                                  

                                                                                    

                       
                       
                       
     
                       

                                              
                       







quinta-feira, 10 de abril de 2014

FOTOTECA E HEMEROTECA

FOTOGRAFIAS ANTIGAS  

    Possuímos uma coleção de fotografias antigas que dizem respeito a Júlio de Castilhos. A ela demos o nome de "COLEÇÃO FIRMINO COSTA". Em cada foto publicada vai este crédito para que as pessoas saibam que existe a coleção e nos ofereçam outras mais. Teremos já mais de mil fotos que testemunham nosso passado.
     Elas tem um Índice Onomástico onde estão acontecimentos e pessoas identificadas na foto. As fotografias em cartão estão em um móvel de madeira. Em pastas encadernadas estão os outros tipos de fotos (em papel fotográfico). No momento são cinco pastas. Número 1 e 2: fotos de acontecimentos. Número 3,4 e 5: de pessoas.
     Em pastas-sanfonas com alfabeto estão mais fotos não catalogadas. São duas: uma com fotos em branco e preto e outra com fotos coloridas.
     É grande nosso arquivo digital de fotos copiadas e devolvidas.
     Algum dia este material que fornecerá subsídios para trabalho de história do município estará em um futuro Arquivo Histórico de Júlio de Castilhos. Aguardamos sempre que você contribua com  novos exemplares!

JORNAIS ANTIGOS

     Em nossa coleção possuímos:
     "A Convenção" -- É o primeiro jornal de Vila Rica, fundado em 18 de agosto de 1901. São 36 exemplares, a partir do Ano I n° 2.
     "O Popular" -- Que seria o 5° jornal, fundado em 31 de março de 1907. Temos encadernados centenas de exemplares. Podemos consultar dados de 1907 até 1926!!!
    "Rebate" -- O 6° jornal, fundado em 3 de junho de 1907. São, apenas, 12 exemplares.
    "A Reserva" -- O 8° que se tem notícia. Pequena encadernação de dezenas de exemplares.
             Estes são os jornais mais antigos de nossa cidade. Temos outros em nossa coleção.
    "Cruzeiro do Sul" -- Fundado em 12 de outubro de 1926 foi até 1930. Conseguimos 50 exemplares.
    "Jornal Serrano" -- Fundado em janeiro de 1931. Dezenas de números.
    "Alliança" -- Fundado em 1935. Temos 60 exemplares avulsos.
    "Correio do Estado" -- Fundado em 3 de julho de 1938. Quase a coleção completa encadernada, até                 1941.
    "Doutrina" -- Fundado em 1939. Durou um ano. Um exemplar teve a tiragem de 8.200 exemplares.                     Praticamente todos os números, encadernados.
    "Democracia" -- Fundado em 20 de julho de 1947, circulou até 53. Resgatamos algumas centenas e
             estão encadernados.
    "A Mutuca" -- Fundado em 16 de fevereiro de 1951 foi até 54. Avulsos, dezenas deles.
    "O Planalto" -- Fundado em 16 de março de 1955, circulou até 1959. A coleção completa nos foi                      doada por Elvirinha Vargas e está devidamente encadernada.
    "A Notícia" -- Fundado em 7 de setembro de 1959 circulou até 93. Tem uma pilha de 25 centímetros                a espera de encadernação. Darão vários volumes.
    "A Voz do Planalto" -- Fundado em 25 de dezembro de 1969. Praticamente coleção completa.
    "O Independente" -- Fundado em 5 de abril de 1975, circulou até 1997. São quatro volumes                           encadernados com a coleção completa. Nele encontram-se ótimas fotografias daquela época e são     ótimos subsídios para a história da cidade.
    "Comunidade - Imagem e vida" -- São 3 revistas de 1974 e 75.
   
          Além desses outros pequenos jornais compõem a nossa hemeroteca. Os jornais encadernados estão à disposição para consultas programadas e podem ser fotografados, sem sair, no entanto, de nossa casa.

terça-feira, 8 de abril de 2014

GENEALOGIA

        Com o objetivo de conhecer melhor as famílias que ajudaram a escrever a história de Júlio de Castilhos e auxiliar as pessoas que desejam levantar sua ÁRVORE GENEALÓGICA,
        estudamos e continuamos, dentro de nossas limitações, como genealogista leigo, pesquisando a genealogia de diversas famílias de nosso município. Entre elas os títulos:

       ALBERT - BONIFÁCIO DE CASTILHOS - CAVEDON - ELEUTÉRIO MOREIRA - MOREIRA FAGUNDES - PASCHOAL ELIAS - BASTOS COSTA - BROMBILLA - FRUET - FUMAGALLI -              GARCEZ - HORTÊNCIO JOSÉ MACHADO - PROPHETA DE MELLO - QUEVEDO  e                                                                          TOGNOTTI. 

      Estamos, além disso, ampliando o estudo genealógico de velhos troncos familiares de Júlio de Castilhos da autoria do emérito genealogista FRANCISCO SALLES que foi quem nos iniciou nessa apaixonante             ciência. Entre eles os títulos:

      ALCÂNTARA - ALVARENGA - BASTOS - CORREA DE BARROS - CASTILHOS - MESSERSCHMIDT - MOREIRA MACHADO - OLIVEIRA RIBAS - ONÓFRIO - PEREIRA DA SILVA - PEREIRA DOS SANTOS - PORTELLA - ROSA - SALLES - SOARES DA SILVA - WAIHRICH

                                                                                                     chagascosta@gmail.com 

RUA DR. SOLON LEMOS


A Lei n° 3.118 seja de 27 de novembro de 2013, dá nova denominação à continuação norte da  Rua Pimenta de Moura.
Ter seu nome em uma via pública, bem ao alto da coxilha da terra que ele tanto amou, é um ato plenamente justificável, honrando a memória do nosso saudoso Dr. Solon, pois foram muitos e relevantes os serviços reconhecidos pelo Poder Público:

O Dr. Solon participou da Imobiliária Progresso que, com o dinheiro da comunidade e da Prefeitura, construiu o atual Hotel Castilhense, quando a cidade carecia de um local digno para hospedagem. A participação da comunidade, com quotas, foi idéia dele.
            Seu interesse pela criação de empregos na cidade era notável. Ele via que os jovens não permaneciam na cidade por falta de emprego e trouxe de Umuarama, no Paraná, duas pessoas para uma palestra que motivou a criação de uma “holding”.
Foi ele o criador da “Holding JC Empreendimentos S.A.” visando o desenvolvimento agro-industrial de Júlio de Castilhos, à qual dedicava toda a sua atenção. E conseguiu, novamente, que a comunidade subscrevesse quotas para sua criação. Com sua morte, o numerário arrecadado foi destinado à construção do Pavilhão Comercial que o Sindicato Rural usará em comodato por 20 anos.
Em outra ocasião, ele organizou uma excursão à Vacaria, em ônibus, levando empresários de nossa cidade interessados em conhecer o trabalho de desenvolvimento daquela comunidade, programa do então Prefeito, que lá estava tendo grande sucesso.
            O Dr. Solon Lemos foi um dos médicos mais bem preparados do passado. Embora generalista, especializou-se em pediatria no Hospital Maia Filho, de Porto Alegre, freqüentando enfermarias de traumatologia que, na época, fazia falta no nosso Hospital. Nessa área, ele dificilmente mandava um paciente para especialistas em Santa Maria.
            Quando na cidade havia apenas um Posto de Saúde, em seus últimos anos, até sua morte, dedicava as manhãs de quarta-feira para atendimento gratuito aos necessitados.
  Ele impulsionou a criação da nossa APAE, e foi o seu primeiro Presidente.
            Foi Presidente do Clube Félix da Cunha e, quando a sociedade passava por dificuldades, voltou a pertencer ao grupo de presidentes que reabilitaram o Clube.
         Foi presidente do Rotary Clube de Júlio de Castilhos, entidade que visa o reconhecimento das profissões e prestou, juntamente com seus companheiros, inúmeros serviços à Comunidade.
          Foi Diretor do Teatro de Amadores de Júlio de Castilhos e membro do Conselho Municipal de Cultura, evitando que o antigo cinema continuasse sem a finalidade cultural com que foi doado e deixasse de pertencer à comunidade.
  Dotado de uma ótima voz, participou da única novela radiofônica histórica de nossa terra.
            Para não trair seus princípios de honestidade não aceitou ser candidato único com o apoio dos dois partidos da época. No entanto, por interesse e amor a Júlio de Castilhos foi candidato a Prefeito pelo seu partido.          
        Pessoa educada e de fino trato, granjeou vastíssimas amizades e sempre esteve presente, assessorando a todos os prefeitos de sua época, independentemente do partido a que pertenciam.
            Por lamentáveis circunstâncias não mereceu em vida a honraria de ser Cidadão Castilhense. Mas, ninguém amou mais sua terra adotiva que ele e é indiscutível a grande expressão humana, social e cultural que ele teve em nosso município.

Resta-nos, portanto, aplaudir sensibilizados esta homenagem que tanto veio a agradar sua família e seus inúmeros amigos, preservando, indelevelmente, a exemplar memória do Dr. Solon Lemos, para além do horizonte dos anos.

FINCÃO E REPOLHO

           
                  O fincão é um inseto de hábitos noturno. Também chamado barbeiro, sua picada pode transmitir o mal de Chagas. Vive nos ranchos de barro ou cascas de árvore e só sai de noite. De São Martinho, vieram morar na vila de Júlio de Castilhos algumas famílias que se tornaram políticos ferrenhos aqui na Vila. Como trabalhavam durante o dia, em época de eleições, saíam à noite para fazer propaganda causando um “mal” para os adversários. Eles ganharam o apelido de fincões.
            Houve um tempo em que havia uma grande rivalidade entre Tupanciretã e Júlio de Castilhos, principalmente entre jovens que iam a baile numa e noutra cidade. Contam que Leôncio Ortiz Bastos, muito divertido, trabalhava numa revendedora de automóveis, a Sulford, em Tupã e era chamado de fincão. Apelido que foi estendido a todos os de Júlio de Castilhos.
Aconteceu que Horácio Elias Portella, genro do velho Bôrtolo Brombila, possuía aqui uma grande lavoura às margens do Arroio Lagoão, onde na metade da área plantava centenas de mudas de repolho, a verdura mais vendida naquele tempo. E, no resto, plantava a batata doce que vendia totalmente aos armazéns da Vila. Porém na venda de repolho sofria a concorrência do seu cunhado André Brombila, que todas as manhãs, acompanhado de um filho, conduzia até a nossa vila dois carrinhos-de-mão de repolhos e outros legumes. Como o Horácio morava mais longe e só tinha um carroção, cada vez que vinha a Vila não conseguia vender mais do que 20 ou 30 repolhos o que, logicamente, não compensava seu trabalho.
Certo dia, aconselhado pelo Iseu Prat, funcionário da Exatoria Estadual, resolveu tentar a venda em Tupanciretã.  Enchendo seu carroção com quase 200 repolhos, de madrugada se foi àquela localidade e lá vendeu toda a carga, voltando, à tardinha, alegre com o resultado, e assim enquanto havia o produto, a cada 15 dias ele repetia a viagem.

            Leôncio Ortiz Bastos, um castilhense que trabalhava na Sulford de Tupanciretã, para vingar-se gostosamente começou a chamar os tupanciretanenses de repolhos e o apelido pegou com facilidade. Surgia assim, a repolândia e a fincolândia.