terça-feira, 8 de abril de 2014

O TEATRO E O CINEMA EM JÚLIO DE CASTILHOS

O TEATRO  E  O  CINEMA  EM  JÚLIO  DE  CASTILHOS                                                                                              

Júlio de Castilhos era vila ainda, quando teve o seu “Theatro Municipal”, inaugurado no último dia do ano de 1912. Há 102 anos, portanto. Foi a principal obra cultural do Intendente Álvaro Hippolyto Pinto.
O terreno para construção foi adquirido do médico Dr. José Alves Valença. Construído por um firma de Bagé, o teatro tinha somente a frente de material e era coberto com telhas de zinco. Comportava 168 lugares, a metade do atual. Não tinha poltronas, mas cadeiras coloniais.
Somente em 1919, houve uma grande reforma: foi extinto um pequeno “café” no saguão do prédio, ficando mais espaçosa a entrada. Os doze camarotes tiveram cobertura de belbutina, uma espécie de veludo. O interior teve pintura e decorações novas e ”confortáveis mobiliários”. Os melhoramentos foram inaugurados com uma peça encenada pela Cia. Ribeiro Cancella, despertando o entusiasmo dos amadores da vila.

Durante anos o Theatro Municipal recebeu muitas companhias nacionais de teatro e operetas, além de concertos de violinistas, pianistas, cantores, mágicos, conferencistas e outros artistas da época.
Todos os espetáculos de teatro amador eram ali realizados. Entre os diretores do passado teve destaque Lourival Hausen, o avô de Berenice Hausen Messerschmidt.

Em 1914, o cinema começou a funcionar no Theatro Municipal.
No início eram filmes mudos e a máquina de projeção era “tocada a mão” pelo operador.  Para as cenas de ação a manivela funcionava mais rápido e para as cenas de amor, adequadamente mais lenta. A projeção era acompanhada por um pianista, flautista, violinista, ou até pela banda municipal ou uma orquestra própria. Em 1930, a orquestra foi substituída por um gramofone de pé com ótima coleção de pesados discos de carnaúba: valsas, marchas, mazurcas, foxtrote e outras que iam sendo substituídos convenientemente para acompanhar o filme.
Somente em 1933, foi introduzido o cinema falado em Júlio de Castilhos, com a instalação do “Vitaphone”, uma maquina elétrica que projetava filmes de celulóide (o plástico da época) e cada filme era acompanhado de um grande disco que era colocado no gramofone. No início do filme havia uma faixa preta que marcava a ocasião de largar a agulha no disco.
O celulóide rebentava muito. Os filmes muito remendados encurtavam um pouco, enquanto o disco permanecia íntegro. Surgiam, então, problemas sérios e hilariantes: o bandido estava morto e só depois se ouviam os tiros ou a donzela falava com voz de homem e vice-versa!

O antigo “Theatro Municipal” teve sua época e, em 1935, quase um quarto de século depois, já estava em péssimo estado. Não oferecia segurança e comodidade e a Intendência publicou um edital de doação a quem propusesse construir um edifício “com todos os requisitos de técnica moderna” e não destinar o imóvel para fins diversos de teatro e cinema, sob pena de reversão ao patrimônio público.

Em 1939 foi inaugurado o Cine Teatro Palácio que foi, por quarenta anos a diversão diária dos castilhenses da cidade. Permaneceu, depois, inativo por oito anos e, em 1987 fechou definitivamente.

Graças, principalmente, a ações da Dra. Sonia Abreu e da Profª Marli Alberto, finalmente, em 28 de maio de 2001, a Prefeitura recebeu as chaves desse valioso e nobre prédio que, restaurado e readaptado, foi inaugurado como a maior obra cultural da administração João Vestena: o Centro Cultural Álvaro Pinto.

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